Pular para o conteúdo principal

O mestre e o Terremoto

 (Prem Baba)

Aconteceu que um mestre Zen foi chamado como convidado. Alguns amigos haviam se reunido e estavam comendo e conversando quando, de repente, houve um terremoto. O prédio em que eles estavam era um prédio de sete andares, e eles estavam no sétimo andar, então a vida estava em perigo.

Todo mundo tentou escapar. O anfitrião, correndo, olhou para ver o que tinha acontecido com o mestre. Ele estava ali sem sequer uma ruga de preocupação no rosto. Com os olhos fechados, ele estava sentado em sua cadeira da mesma maneira que estava sentado antes.

O anfitrião sentiu-se um pouco culpado, sentiu-se um pouco covarde; não fica bem que o hóspede fique sentado e o anfitrião fuja. Os outros, os outros vinte hóspedes, já tinham descido as escadas, mas ele parou, embora estivesse tremendo de medo, e se sentou ao lado do mestre.

O terremoto chegou e passou, o mestre abriu os olhos e retomou a palestra que, por causa do terremoto, havia interrompido. Ele continuou novamente, exatamente na mesma frase - como se o terremoto não tivesse acontecido.

O anfitrião estava agora sem vontade de ouvir, não estava com disposição de entender porque todo o seu ser estava muito perturbado e ele estava com muito medo. Mesmo que o terremoto já tivesse ido embora, o medo ainda estava lá.

Ele disse: "Agora não diga nada, porque não serei capaz de compreender, não sou mais o mesmo. O terremoto me perturbou muito. Mas há uma pergunta que eu gostaria de fazer. Todos os outros hóspedes haviam escapado, eu também estava na escada, já quase correndo, quando de repente me lembrei de você. Vendo você aqui sentado com os olhos fechados, sentado tão tranquilo, tão imperturbável, me senti um pouco covarde - sou o anfitrião, eu não deveria correr. Então voltei e estou aqui sentado ao seu lado. Gostaria de fazer uma pergunta. Nós todos tentamos fugir. O que aconteceu a você? O que você me diz sobre o terremoto?"

O mestre disse: "Eu também fugi, mas você fugiu para fora, eu fugi para dentro. Sua fuga é inútil porque para onde quer que você esteja indo lá também há um terremoto, então é sem sentido, não faz sentido. Você pode alcançar o sexto andar ou quinto ou o quarto, mas lá também há um terremoto. Eu fugi para um ponto dentro de mim onde nenhum terremoto jamais chega, não pode chegar. Entrei em meu centro.


-----

Quando meditamos encontramos nosso centro, encontramos o que sempre procuramos fora, e isso que todos os grandes mestres ensinaram e ensinam até hoje, e o que você mesmo pode experienciar pela meditação. Tudo o que você perde quando vem a morte e passageiro, só o restante é real.
Que possamos vibrar boas energias para o Japão e para todo o planeta! Bjs


Comentários

FOXX disse…
anos de pratica né? pra conseguir algo assim
Rodrigo Brower disse…
E demanda disciplina.. como tudo na vida.. ^^
Luzinha disse…
Uau...Ro adorei o texto!!!
Que todas as energias positivas vão de encontro ao povo do Japão.

Beijos
byfranzao disse…
Sim sim sim.... o japão precisaaaaaaa!
Anônimo disse…
O planeta inteiro precisa de boas energias!

Postagens mais visitadas deste blog

Apego

Um dia, o Buda estava sentado na floresta com alguns monges. Eles tinham acabado de almoçar e já iam começar um compartilhamento sobre o Dharma quando um fazendeiro se aproximou deles. O fazendeiro disse: “Veneráveis monges, vocês viram minhas vacas por aqui? E tenho dezenas de vacas e elas fugiram. Além disso, eu tenho cinco acres de plantação de gergelim e este ano os insetos comeram tudo. Eu acho que vou me matar. Eu não posso continuar a viver assim”.
O Buda sentiu forte compaixão pelo fazendeiro. Ele disse: “Meu amigo, me desculpe, não vimos suas vacas vindo nessa direção”. Quando o fazendeiro se foi, o Buda se voltou para seus monges e disse: “Meus amigos, sabem por que vocês são felizes? Porque vocês não têm vacas para perder” Buda era contra bens materiais? Não! Ele queria  apenas que não fôssemos apegados a elas! Devemos viver no mundo mas sem precisar dele, conviver, amar as pessoas, sem dependência, viver o agora sem expectativas pelo futuro, deixar o passado e viver a etern…
"Você só se harmoniza com as leis da prosperidade quando pode se libertar do medo da pobreza que faz você perseguir o dinheiro e colocá-lo em primeiro lugar, o que pode, durante uma fase da sua encarnação até fazer com que você acumule alguma coisa, mas não significa que a prosperidade lhe visitou. Porque ter coisas não significa ser próspero. O fato de você ter não significa que se harmonizou com as leis da abundância. É possível que a prosperidade e a abundância te visitem apenas se você se libertou do medo da escassez e experienciou a plenitude. Então, todo o tesouro do universo está a sua disposição, mas você não se apega a nada porque sabe que não é seu; apenas está ali para você usar e servir ao propósito divino. Essa é a verdadeira riqueza e a grande sabedoria: Você usufruir das belezas do mundo, mas não ser escravo dele". 
Sri Prem Baba
---
Segunda começo um novo ciclo, estou de trabalho novo. Muito bom ter seu currículo reconhecido e na primeira entrevista depois do úl…

Estar junto não é estar presente!

Estar junto não é o mesmo de estar presente, porque pode-se estar longe e se fazer notar, pode-se não se ver e se fazer sentir.
Se fazer presente é algo que está nos detalhes. Uma ligação fora de hora, uma mensagem no meio da madrugada, o carinho na voz, uma visita surpresa, todos pequenos detalhes que somados fazem a grande diferença.
Mas cada um é o que é, sabe o que sabe, ninguém pode cobrar nada de ninguém, esses detalhes devem ser  espontâneos e não exigidos! Por isso que amor não se declara, mas se demonstra. Enfim, Next! E roda da vida não para de girar..
Ótimo domingo!