Sábado, Janeiro 28

Véus


Busco sempre a honestidade. Comigo próprio acima de tudo, fazer o que realmente desejo, amo, sinto. Mas nem sempre é tão simples chegar a isso. Vivemos em um mundo tão condicionado, tão cheio de imposições que por vezes nos questionamos porque estamos fazendo algo ou tomando alguma atitude. Fazer por fazer... por que sempre foi feito assim, coisas do tipo. A meditação chega nesse momento para "limpar" esses condicionamentos, para colocar a mente um pouco de lado e ensinar a ouvir o silêncio que existe além dela. Parece figura de linguagem, mas quem já meditou, ou tem alguma experiência espiritual forte, conseguirá entender esse silêncio. O Osho explica que é um lugar além do tempo e do espaço, além dos nomes e dos conceitos, um ponto onde você entende que você transcende tudo isso que você chama de vida.

Mas os condicionamentos são fortes, estão no seu Ser a vidas e vidas, é necessário dedicação para poder se ver livre de todos eles. Yogananda faz um paralelo com um pianista, que treinando apenas algumas horas no mês será apenas um pianista mediocre, da mesma forma o yogue, ou aquele que busca o Si-mesmo se não colocar uma dedicação, uma real intenção de remover todo o lixo que foi lhe imposto, não se encontrará de verdade. Terá vislumbres, com certeza, mas não terá força suficiente para se manter ali.

O que me conforta é saber que não preciso ir para a Índia, China, Peru ou qualquer cidade mística. Não preciso ler os livros sagrados nem conhecer os solos santos. Minha busca está dentro de mim mesmo,e também dentro de você. E na verdade não é uma busca, pois não há o que achar, seria mais como apenas abrir os olhos e poder realmente enchergar...

Namastê

Terça-feira, Novembro 8

Observação



Compartilho esse texto do “Segundo livro do Tao”, de Stephen Mitchell...

Quando exaurimos nossa mente nos apegando a um lado especifico da realidade, sem perceber a unidade subjacente, temos o chamado “três pela manhã”.

O que isso significa?

Um treinador de macacos ao distribuir castanhas, disse:

– Cada um de vocês receberá três pela manhã e quatro à tarde.

Os macacos ficaram indignados. Ele disse:

– Então, vocês receberão quatro pela manhã e três à tarde.

Os macacos ficaram satisfeitos.

Nada essencial havia mudado, no entanto, uma declaração provocou ira e a outra alegria.

O treinador simplesmente soube como se adaptar à realidade e nada perdeu com isso.

Assim, o mestre usa a sua habilidade para se harmonizar com os dois lados e repousa no Tao, que tudo iguala. Isso se chama “andar por dois caminhos de uma só vez”.

O texto fala de “andar por dois caminhos”. Quais são os dois caminhos? Há o “você-Observação” e o “você-personagem”. Você deve andar nesses dois caminhos – ambos propõem aprendizados.

Trabalhe, se relacione, mas fique no meio. Se alguém o chamar de “idiota”, não tente impedir, deixe-o. Se quiser impedir isso, é porque se sente um idiota – e, de alguma maneira, ele descobriu.

Permanecer no centro, no meio, é estar atento quanto à Observação. A maioria das pessoas ignora essa possibilidade e vive absolutamente identificada com o personagem. No entanto, estou aqui para invocar a possibilidade de que você se identifique com a Observação como sendo você. Aproxime-se disso!



Namastê!

Quinta-feira, Outubro 27

Zelo






A única coisa que você precisa ter muito zelo é que o hábito torna as experiências automáticas.
Você tende a fazer desse jeito hoje, por ter feito o mesmo ontem.
Por isso: zelo e atenção!
Eu observo as árvores, e elas não choram porque os frutos caem de maduros.
Ou você já viu alguma árvore triste por terem caído todas as suas folhas no inverno?
Não.
A sua tristeza é inventada.
Você sofre porque existe um pensamento que diz que você não pode ficar sozinho, por exemplo.
A mente diz que se você está só, é porque tem alguma coisa errada.
Mas o que está errado?
O único erro é você se sentir só e pensar que não deveria estar só.

Participante – Na verdade, só pensamos que precisamos de alguém.
Isso é apenas um pensamento.
E acho que é isso que está errado.

Pois é!
É tudo óbvio.
O que você tem que fazer?
Não tem que fazer nada!
Você precisa simplesmente ficar quieto e zelar por esse pano de fundo que é o Silêncio, que é a sua natureza.
Você não precisa de nada!
Isso não impede que você se envolva com as pessoas.
Envolva-se!
Mas sem nenhuma expectativa.
Sem a expectativa de que aquilo vá ser para sempre, ou de que aquilo precise de um formato.

Satyaprem

Domingo, Outubro 23

Palavras


Palavras... São apenas isso, palavras. Não espere nada de simples junções de sílabas, letras e acentos... veja a realidade como ela se apresenta, sem o véu das ilusões. Dessa forma você se poupa de muito sofrimento. Ah ele disse que te amava? Que seria pra sempre? Foram apenas palavras, pois sua realidade provou algo diferente, ou não?  No que você escolhe acreditar? Palavras ou a realidade? A opção é sempre nossa. Você pode escolher entre "Ok, as pessoas são o que são!" ou "A vida não é como eu "esperava" por isso vou sofrer..." Qual será sua escolha? Eu escolho sempre pelo que me traz mais contentamento e mais felicidade! Mas nem sempre é uma escolha simples, e mais, nem sempre temos consciência que podemos optar por tudo, essa é a grande chave, tudo é opcional, tudo! Em cada situação que se encontrar pense nisso, tudo é opcional, onde você está se colocando, o que você está optando? 

Quarta-feira, Setembro 21

A moda Deus

   
     Hoje o tema de Deus está em alta. Alguns em nome da ciência pretendem negar sua existência como o biólogo Richard Dawkins com seu livro Deus, um delirio (São Paulo 2007). Outros como o Diretor do Projeto Genoma, Francis Collins com o sugestivo título A linguagem de Deus (São Paulo 2007) apresentam as boas razões da fé em sua existência. E há outros no mercado como os de C.Hitchens e S.Harris.
No meu modo de ver, todas estes questionamentos laboram num equívoco epistemológico de base que é o de quererem plantar Deus e a religião no âmbito da razão.

     O lugar natural da religião não está na razão, mas na emoção profunda, no sentimento oceânico, naquela esfera onde emergem os valores e as utopias. Bem dizia Blaise Pascal, no começo da modernidade:"é o coração que sente Deus, não a razão"(Pensées frag. 277). Crer em Deus não é pensar Deus mas sentir Deus a partir da totalidade do ser.

     Rubem Alves em seu Enigma da Religião (1975) diz com acerto:"A intenção da religião não é explicar o mundo. Ela nasce, justamente, do protesto contra este mundo descrito e explicado pela ciência. A religião, ao contrário, é a voz de um consciência que não pode encontrar descanso no mundo tal qual ele é, e que tem como seu projeto transcendê-lo".

     O que transcende este mundo em direção a um maior e melhor é a utopia, a fantasia e o desejo. Estas realidades que foram postas de lado pelo saber científico voltaram a ganhar crédito e foram resgatadas pelo pensamento mais radical inclusive de cunho marxista como em Ernst Bloch e Lucien Goldman. O que subjaz a este processo é a consciência de que pertence também ao real o potencial, o virtual, aquilo que ainda não é mas pode ser. Por isso, a utopia não se opõem à realidade. É expressão de sua dimensão potencial latente.

     A religião e a fé em Deus vivem desse ideal e desta utopia. Por isso, onde há religião há sempre esperança, projeção de futuro, promessa de salvação e de vida eterna. Elas são inalcançáveis pela simples razão técnico-científica que é uma razão encurtada porque se limita aos dados sempre limitados. Quando se restringe apenas a essa modalidade, se transforma numa razão míope como se nota em Dawkins. Se o real inclui o potencial, então com mais razão o ser humano, cheio de ilimitadas potencialidades. Ele, na verdade, é um ser utópico. Nunca está pronto, mas sempre em gênese, construindo sua existência a partir de seus ideais, utopias e sonhos. Em nome deles mostrou o melhor de si mesmo.
 É deste transfundo que podemos recolocar o problema de Deus de forma sensata. A palavra-chave é abertura. O ser humano mostra três aberturas fundamentais: ao mundo transformando-o, ao outro se comunicando, ao Todo, captando seu caráter infinito, quer dizer, sem limites.

     Sua condition humaine o faz sentir-se portador de um desejo infinito e de utopias últimas. Seu drama reside no fato de que não encontra no mundo real nenhum objeto que lhe seja adequado. Quer o infinito e só encontra finitos. Surge então uma angústia que nenhum psicanalista pode curar. É daqui que emerge o tema Deus. Deus é o nome, entre tantos, que damos para o obscuro objeto de nosso desejo, aquele sempre maior que está para além de qualquer horizonte.

     Este caminho pode, quem sabe, nos levar à experiência do cor inquietum de Santo Agostinho:"meu coração inquieto não descansará enquanto não repousar em ti"

     A razão que acolhe Deus se faz inteligência que intui para além dos dados e se transforma em sabedoria que impregna a vida de sentido e de sabor.

Leonardo Boff

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   No mínimo uma ótima reflexão esse texto do Leonardo Boff, gostei e vocês? Não gosto da palavra Deus, porque vem cheia de  condicionamentos, muitas imagens já pre concebidas, tenho uma relação com a divindade bem particular e acredito que todos também tenham e vejo nisso a melhor forma de relacionamento com essa força, com essa consciência. Afinal isso tudo está na mente o importante é estar bem, todo o resto são apenas projeções e reflexões... Bjs



Domingo, Setembro 11

Tempo




Nossa quase dois meses sem postar, o tempo realmente não existe...rs
A vida anda bem corrida, mas eu gosto assim. No meu trabalho faz quase três meses que fui promovido, por isso ando mais atarefado do que antes, não tenho hora pra entrar nem pra sair, mas estou feliz por estar fazendo algo que me dá muita satisfação, e isso que importa, fora que dá pra organizar a  vida pessoal e trabalho, só o blog mesmo que ficou um pouco de lado, mas gosto tanto daqui e dos blogueiros que sempre quando dá, venho postar algo e ler os blogs.
E isso, vou ver alguns blogs e aproveitar o fim do domingo! Bjs 

Sábado, Julho 16

A fonte




Alguém insultou você — a raiva irrompe de repente e você fervilha de raiva. A raiva está fluindo na direção da pessoa que o insultou. Agora você projetará toda essa raiva sobre o outro.

Ele não fez nada. Se insultou você, o que ele fez de fato? Só lhe deu uma alfinetada, ajudou a sua raiva a aflorar — mas a raiva é sua.O outro não é a fonte; a fonte está sempre dentro de você. O outro está atingindo a fonte, mas, se não houvesse raiva dentro de você, ela não poderia aflorar. Se você bater num buda, só provocará compaixão, porque só existe compaixão dentro dele. A raiva não vai aflorar porque não existe raiva.Se você jogar um balde num poço vazio, ele voltará vazio. Se jogar um balde num poço cheio de água, ele sairá de lá cheio de água, mas a água será do poço. O balde só a ajudou a vir para fora.Portanto, a pessoa que o insultou só está jogando um balde em você, e ele sairá de lá cheio de raiva, do ódio ou do fogo que existe em você. Você é a fonte, lembre-se.Para praticar esta técnica, lembre-se de que você é a fonte de tudo o que projeta sobre os outros. E sempre que sentir uma disposição a favor ou contra, no mesmo instante volte-se para si e busque a fonte de onde o ódio está partindo.Fique centrado ali; não dê atenção ao objeto. Alguém lhe deu a chance de tomar consciência da sua própria raiva; agradeça-o imediatamente e esqueça-o. 

Feche os olhos, volte-se para dentro e agora olhe a fonte de onde esse amor ou essa raiva está vindo.De onde ela vem? Vá para dentro de si mesmo, volte-se para dentro. Você descobrirá ali a fonte, pois a raiva está vindo dali.O ódio, o amor, ou seja o que for, tudo vem da sua fonte. E é fácil encontrar a fonte quando você está com raiva, ou sentindo amor, ou cheio de ódio, porque nesse momento você está quente. É fácil voltar-se para dentro nessa hora.A fiação está quente e você pode senti-la dentro de você e se guiar pelo calor. E, quando atingir um ponto frio interior, descobrirá de repente uma outra dimensão, um mundo diferente abrindo-se para você. Use a raiva, use o ódio, use o amor para mergulhar em si mesmo.Um dos maiores mestres zen, Lin Chi, costumava dizer: "Quando eu era jovem, adorava andar de barco. Eu tinha um barquinho e remava sozinho num lago. Eu ficava ali durante horas. Uma vez, eu estava no meu barco, de olhos fechados, meditando, numa noite esplêndida. Então um outro barco veio flutuando, trazido pela corrente, e bateu no meu. Meus olhos estavam fechados, então eu pensei. 'Alguém bateu o barco no meu'. Enchi-me de raiva. Abri os olhos e estava a ponto de vociferar algo para o homem, quando percebi que o barco estava vazio! Então não havia onde descarregar a minha raiva. Em quem eu iria extravasá-la? O barco estava vazio, à deriva no lago e tinha colidido com o meu. Então não havia nada a fazer. Não havia possibilidade de projetar a raiva num barco vazio."Então Lin Chi continuou: "Eu fechei os olhos. A raiva estava ali. Mas não sabia como extravasar. Eu fechei os olhos simplesmente e flutuei de volta com a raiva. E esse barco vazio tornou-se a minha descoberta. Eu atingi um ponto dentro de mim naquela noite silenciosa. Esse barco vazio foi meu mestre. 

E, se agora alguém vem me insultar, eu rio e digo: 'Esse barco também está vazio'. Fecho os olhos e mergulho dentro de mim".


Vi aqui

Terça-feira, Junho 28

Você é o infinito onde tudo está contido...




Todos os processos terapêuticos se perdem na proposta de “amar a si mesmo”. As terapias insistem em amar o que é visto, porque elas descrevem aquilo que é visto como sendo você. No entanto, amar a si mesmo significa amar esse que você não encontra, esse que você não sabe o que é, mas que o silencia e aquieta.

Existe um magnetismo do lado de fora. Você sofre do “complexo do espermatozóide” – está sempre pronto para sair em direção à alguma coisa. No nosso subconsciente, é altamente potente a ideia de que a realização esteja do lado de fora. Por isso insisto: aquiete-se e saiba! Qualquer movimento, o leva para fora.

Consciência é um espelho – e, por favor, compreenda da melhor maneira possível, porque a mente tende a entender que exista um objeto chamado “espelho” ao qual é possível estar alerta. Mas você não pode! A Consciência é um espelho que reflete tudo o que pode ser descrito.

Tudo o que pode ser sentido ou pensado é um reflexo no espelho da Consciência. O seu corpo não é e nunca vai ser Consciência, portanto, não continue preso ao corpo. Dê-se conta de que você é aquele que observa o corpo – e esse que observa o corpo não está no corpo. Você, na verdade, é aquele onde o corpo está contido – que, diga-se de passagem, é infinito.

Sim, o seu corpo é uma descrição dentro de quem você é, assim como o mar, ele está dentro de você. A confusão primordial é confundir-se com o objeto. O corpo é o objeto contido. Você é o infinito onde tudo está contido.


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Não procure mais respostas, não faça perguntas, por um instante permita-se apenas ser, sem ouvir sua cabeça, seus condicionamentos, tente apenas e simplesmente ser... Você ira se surpreender como esse simples  ato pode mudar sua forma de encarar a vida... Sente-se em silêncio e fique atento a sua respiração, perceba o ar entrando, saindo... Fique no agora, fique um pouco apenas consigo mesmo, sem julgamentos, sem pensar no que virá, ou no que já foi, no começo sua mente ficará tagarelando de tudo um pouco, mas aos poucos ela ira parar, se dê esse presente...tente pelo menos, você não tem nada a perder, depois me conte como foi! 






Quarta-feira, Junho 15

Mente



 "A não ser que a mente se torne estável, não pode haver yoga. É o vento do mundanismo que sempre perturba a mente, semelhante à chama de uma vela. Quando a chama está imóvel, diz-se que uma pessoa atingiu yoga."

Ramakrishna
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 Liberdade é vivermos verdadeiramente nosso espírito, livres dos condicionamentos impostos por tantos anos, é um treino diário seguir o mais profundo do seu SER. Bjs


Sábado, Junho 11

Liberdade


 


Este é o segredo: desautomatize-se. Se podemos desautomatizar as nossas atividades, então tudo na vida se torna uma meditação.

E aí qualquer coisa, por mais insignificante que seja, como tomar um banho de chuveiro, fazer uma refeição ou conversar com um amigo, tudo se transforma em meditação.

A meditação é um potencial, uma capacidade que temos e que pode ser projetada ou transferida para qualquer coisa. Não é uma ação específica.

Há pessoas que pensam dessa forma, acreditando que a meditação seja um ato isolado em que você se senta de frente para o leste, repete determinados mantras, queima um pouco de incenso, faz isso e aquilo num determinado momento e de uma determinada maneira, acompanhados por determinados gestos.

A meditação não tem nada a ver com isso. Todas essas são maneiras de automatizar a meditação e a meditação é contra a automatização.

Portanto, enquanto estiver atento, qualquer atividade poderá ser uma meditação, qualquer movimento o ajudará imensamente.


Osho, em "Meditação: A Primeira e Última Liberdade"

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O vídeo do Monge e a Mosca é ótimo, exemplifica muito bem o que a meditação nos proporciona. Fim de semana frio em SP, e eu no intensivo de Yoga, muito bom! Ótimo fim de semana! Bjs