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Eu...aceito!



"Possa eu simplesmente aceitar o que no passado aconteceu. Possa eu ter maturidade de assim proceder. Há muitas coisas que posso mudar. Posso mudar as minhas atitudes concernentes a mim mesmo e ao mundo. Posso ordenar minha vida pessoal, se está desorganizada. Se está muito rígida, posso relaxá-la.

Posso mudar muitas coisas. Posso consertar qualquer dano havido. Possa eu ter a vontade, não apenas uma intenção ou um desejo, mas uma vontade sustentada por um esforço adequado. Possa eu ter o propósito e o empenho para mudar o que posso, seja onde for. E possa eu ter a sabedoria de discernir o que posso e não posso mudar.

Possa eu não tornar a mim mesmo uma vítima, submetendo-me ao passado. Permita-me ver claramente que não posso alterar o que já aconteceu. Que eu não tenha nenhum remorso, tristeza, raiva, ou agitação a esse respeito. Permite-me identificar, bem claramente, pensamentos relativos ao passado que não posso mudar, de modo que eu possa aceitá-lo pelo que é. Permite-me estar ciente de tudo quanto possa mudar. Que isso fique claro para mim. Que não haja nenhuma dúvida. Não permitas que eu perca minha energia e meu tempo tentando mudar o que não posso. Tentar mudar o que não posso deixa-me tão fraco, impotente e empobrecido que não posso realizar a mudança que se faz necessária.

Uma vez que eu veja e honestamente reconheça minha impotência, posso procurar ajuda. Busco ajuda não nos altares do mundo, onde anteriormente já procurava. Agora, busco ajuda em uma fonte que considero como um ser de todo conhecimento, de todo poder, a quem chamo o Senhor. Estabeleço um contato, um relacionamento com o Senhor através da oração. Quando criança, eu recorria a minha mãe ou meu pai para ajuda. Agora, adulto, recorro à fonte de tudo. Livremente vou à fonte. Não sou tímido. Reconheço minha impotência. Busco ajuda através da oração.

Rezo por força, clareza, serenidade para aceitar alegre e simplesmente o que não posso mudar. Quando responsabilizo uma situação ou uma pessoa por ser o que sou, quando responsabilizo a qualquer um desses, devo reconhecer que não aceito meu passado. Na acusação existe o ressentimento por um fato. Há a rejeição de um fato. Mas um fato é um fato. Minha rejeição não o altera. Apenas aumenta a minha confusão.

A fim de aceitar simplesmente o que não posso mudar, não responsabilizo ninguém. Não responsabilizo nem a situação nem a mim mesmo. Não tenho que me responsabilizar. Deixo o passado partir. Aceito integralmente todas as situações e pessoas que surgiram no meu passado, que tenham talvez contribuído para o meu passado, que tenham causado o meu passado. Neste estágio, posso não perceber por que essas pessoas fizeram o que fizeram. Posso não compreender seus problemas, mas pelo menos não as culpo, porque aceito o meu passado.

Tudo o que aconteceu é um fato. Eu posso apenas aceitar isso. A minha rejeição não altera o fato ou o anula. Eu o aceito simplesmente e a ninguém responsabilizo. Tudo o que busco é a maturidade, a clareza, um espaço em mim mesmo de onde eu, com simplicidade, aceite o que não posso mudar.

Aqui sou totalmente objetivo: meus desejos, meus gostos e aversões estão ausentes. Não culpo o céu. Não culpo nada. Sou totalmente objetivo. Aceito o que é. Se tenho que aceitar meu passado, todos aqueles personagens, pessoas, situações que abrangem o meu passado, que representam papéis constituindo o meu passado, aceito-os, como aceito o céu. Posso, com a mesma atitude, aceitar as pessoas que desempenharam papéis em meu passado? Cada uma delas contribuiu para o meu passado, para a minha mágoa, para minha dor e para minha tristeza.

Embora reconheça suas contribuições, não posso me permitir responsabilizar qualquer uma delas. Cada um agiu como agiu devido ao seu passado. Nenhuma delas poderia fazer mais do que fez. Quando criança, eu também não poderia fazer melhor. Assim, aceito a criança em mim e minha interpretação das várias situações. Aceito totalmente cada uma das pessoas envolvidas. Consigo me relacionar com qualquer pessoas com o mesmo estado de espírito que tenho quando vejo um claro céu azul.

Cada pessoa é o que pode ser. Ninguém pode ser mais do que é. Todas essas pessoas que entraram em minha vida, contribuindo, de uma forma ou outra, com algum grau de dor, todas, eu aceito. Faço isso sabendo muito bem que cada uma causou-me um tanto de dor. Não digo que eram anjos. Não digo que foram boas para mim. Reconheço seus papéis causando sofrimento em mim. Ao mesmo tempo, aceito-as objetivamente como elas são, como eram - meus professores, meus colegas, amigos, namoradas, todos que contribuíram com seu bocado para a minha mágoa. Relaciono-me com cada uma com o mesmo estado de espírito que tenho quando olho para o céu.

Posso não ter a mente que apresento quando uma flor me é oferecida. Posso vir a ter esse tipo de mente mais tarde, mas por enquanto, tudo o que almejo é a mente que se apresenta quando olho o céu, as montanhas, as árvores, os passarinhos, os animais em seus próprios habitats. Assim como olho para eles objetivamente, assim também aceito cada indivíduo como eu os recordo. É um processo perfeito. Não deixo ninguém de fora. Não culpo ninguém."

Texto extraído do livro Orações e Meditações ao Amanhecer de Swami Dayananda Saraswati
Vi no Blog "Isso é Yoga?"


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Dias corridos, não tenho vindo muito no blog, e para publicar algo sem contexto ou importância, nem apareço!
Falta 1 semana para minhas férias, pensa na felicidade! E lembram daquele fogo? Vai muito bem obrigado! ^^


Comentários

leo disse…
É engraçado o quanto os dias estão ficando corridos, ou será nossa capacibilidade de os fazerem torna-se mais rápidos? Algo para se pensar...

sinto falta de seus posts. Eles são realmente reenergizantes. Me trazem força para dar outro passo.

E que bom que suas férias estão quase aí! Que você possa aproveitar muito, e acredito que vai, e em companhia ! :)

abraços querido.

bom final de domingo.

leo
FOXX disse…
imaginei q era uma oração...
Will disse…
Eu aceito!

Que sempre eu possa aceitar as decisões que a vida tomou por mim.

Abraços!

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